terça-feira, 8 de novembro de 2011

Solidão.



Abri uma porta qualquer
A espera de encontrar gente.
Pintei as paredes,
Desenhei o vazio que eu vi
Quando lá entrei.
O sol embateu no vidro do quarto
Projectando uma brisa.
As cores pareciam ser maiores
Do que aquelas que eu pintei.
Suspirei de alívio quando percebi
Que não estava só.
Rondava na minha consciência submissa
Uma necessidade incómoda de querer ver gente.

Indefinições



Viajo na loucura de nada saber sobre mim.
Nada além das discrepâncias
Entre o eu e o meu corpo nu.

Sou alma,
Sou o vento que passa,
Sou o tempo que não se mede,
Sou o medo que me persegue,
Sou um eu que não conheço.

Apago do meu passado as lembranças,
Os retratos do meu corpo em metamorfose,
Num tempo que se repete e nunca passa,
Num redemoinho em espiral,
Que se apossa da nossa sabedoria,
Da nossa bendita sabedoria.

O destino me consome,
Destruindo a liberdade dos meus passos,
Anulando minha presença,
Minhas conspirações mentais
Sobre o que vejo,
Sobre o que sinto.

Não consigo olhar para mim,
Não consigo ouvir-me
Não me conheço
Não tenho fé
Sou lixo no meio do Universo,
Uma partícula a mendigar espaço e tempo.

Gotas de suor


Virgens da minha pele
Transcendam o meu olhar
Revestindo-o de mel e ternura.
Levem-no para fora do azedume
Que é o meu corpo
Que me corrói o rosto.

Não deixem que vos tocam
Tenho medo que se percam.
Meu único e último suspiro!

Não me deixem recuar
Beber de meus pensamentos.
Pensamentos de coisas tristes,
Repletos de culpas assumidas
Que me corroem por dentro
Quando a noite se desperta
E toda a gente dorme.

sábado, 5 de novembro de 2011

Escuridão

A poesia morreu desde o momento em que os olhares se embaciaram e não se consegue mais ver o outro. Quando o nosso corpo incompreendido, desconhecido até, nos desperta apenas desejos  carnais.


Não consigo tocar-te, não consegues tocar-me, não sei quem sou, nem quem és. Não te conheço, não me conheces. Somos parentes, somos amigos, somos gentes. A mesma forma, as mesmas curvas, os mesmos gestos. Tudo corpo. Apenas corpo. Mas não consigo tocar-te.


A poesia do homem  esgueirou-se por entre as trevas do inconsciente. E ficou lá. Os olhares todos virados para o chão. As mãos serradas em punho. Depois vem o silêncio. Mais silêncio ainda. E até este é mal compreendido, porque não o sabem tocar. 


Não consigo ser eu, porque sou sempre os outros. E os outro somos nós. De repente não somos ninguém. Não há espaço para tantas almas perdidas.


Morreu o eu, o nós. Ou adormeceu. Se pensar que sim, talvez ainda haja uma esperança.


O reencontro talvez esteja próximo. Mas a luz será forte demais, não o conseguiremos suportar. 
Depois de tanto tempo de escuridão.


Ouço música. Penso...Toco-me por dentro. Sinto-me...

Identidade












Nós viemos de algum lado,
Somos partes inescludíveis
De um só ser.
Não me venha agora trazer pudores,
Abreviações masculinas
Sintetizar minha dor, absorver minha sanidade
Com as colunas sociais de coisas que não lhes entendo o gosto.

Não me venham calar aos palmos,
Espantar minha impaciência,
Derrubar meus sais.
Eu vim de algum lado,
Cresci com gente,
Amei e continuo a amar e a desamar.

Desamarrem-me desta farsa da qual
Não vos pedi para participar.
Dêem-me licença do meu espaço, do meu canto.
Não me venham com sorrisos patéticos,
Com brilhos de luz fluorescentes,
Com clamores mascarados de dor.

Não, não.
Eu digo não
Todos os dias
Não!

Não a todos os enganos
Não a mais decepções
Não aos espelhos
Não aos telhados
Não aos vizinhos desconhecidos
Não ao calvário do mundo

Nós viemos de algum lugar
Parecido até.
Quem sabe não somos parentes?
Talvez a minha avó saiba.
Talvez a minha avó me conte
Talvez eu chore, entranhado nas suas estórias infinitas
Porque saberei como eu sempre soube
Que é das poucas coisas que merecem ser lembradas,
Abraçadas por mim.
Das poucas coisas que merecem a minha ternura
O meu eu verdadeiro
O meu olhar mais puro
O meu sorriso sincero.

Não tentem calar a minha boca
Estou farta de finfir que finjo
Quero viver só por viver
Errar quando tiver de ser
Sorrir quando me der vontade.

Vá para o diabo as etiquetas
Etiquetas de tudo
Fraldas que nos privam de sermos nós
Que Deus os carregue a todos
Todos esses males
Que me livre do fantástico
Do soberano
Das coisas que se dizem nobres.

Eu quero ser eu
Grito por isso
Não me mascarem de soldado vosso
Não quero.




















Fontes grisalhas de suor
Levantam-se da minha pele escura.
Incorporam a vida
E deslizam suas mãos nuas
Sobre o meu corpo,
Silenciando segredos da felicidade.

OLHOS DE ZEPRA






















Taciturna a noite de esplêndida macomonia,
Entres as tuas dores e as horas de suplício.

Corcovado a tua espera.
A espera de de uma turbina,
De uma miragem que me pudesse
Arrebatar das tuas mãos.

Olhos de zepra

O inconsciente humano



































Cada palmo de chão que me é dado,
Sinto-me transpirar de orgulho.
Nefasta sensação,
Podrida de coisas que não se pegam com mãos
Porque na minha insana consciência
Me engrandeci com tão pouco.

Pescadores cansados de tantas promessas



Pescadores de Salamansa começam a sufocar-se com projectos que dizem nunca sair do papel. Mais conhecidos como “os habitantes de Santa Luzia”, embarcam todas as semanas rumo a ilha e só regressam à casa aos fins-de-semana para descarregarem a mercadoria. Dizem-se abandonados a própria sorte e mostram-se receosos quanto ao futuro.
Todas as segundas feiras lá vão esses homens fazerem-se ao mar, num exemplo de que quem nunca perde a esperança. Partem e nunca sabem se regressam, mas assumem os riscos e as más condições de trabalho, porque não há outro meio de sobrevivência.
Levam cerca de uma hora ou duas a chegarem à praia, lugar utilizado para colocarem os materiais e que serve também de refúgio. Normalmente, partem de manhã e só regressam às 16 horas. O resto do dia é passado ao relento, sem um teto onde se abrigarem e sem água, visto que a única fonte que existia no local foi, segundo os pescadores, entupida por um grupo de estudantes que foi visitar a ilha.
“Nós enfrentamos imensas dificuldades, e o caso agrava-se quando se trata de satisfazer as nossas necessidades básicas.” Desabafa Daniel Davide, pescador. “Há mais de 20 anos que ouvimos falar na construção da casa. Da última vez foi na época das eleições legislativas em que veio aqui um arquitecto perguntar-nos como é que gostaríamos que fossem as portas e as janelas da casa”.
E os problemas não terminam por aqui, “infindados” em promessas que nunca chegaram a acontecer. O próximo é a reabilitação do poço que lhes servia como uma espécie de substituto a água potável e que até agora não foi solucionado. Segundo o presidente da associação de pescadores da aldeia, Alfredo Bandeira, foi-lhes prometido a construção de um esterilizador de água há mais de dois anos, em princípio, com uma capacidade de 75 litros de água, mas que ainda estão a espera.
“Por vezes vimo-nos obrigados a permanecer com as mesmas roupas. Não há como ser de outra forma, ainda por cima nos dias de chuva, a levar com aquilo tudo em cima” ,admite Humberto Matias, pescador.
O ambiente que ronda aquela “aldeia dos pescadores” é de total descrédito e dizem-se “fartos” de tantas promessas. O A NAÇÃO tentou entrar em contacto com o Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, mas não obteve nenhuma resposta.
Pesca ilegal/fiscalização
Mas ainda há mais. A questão da fiscalização da orla marítima daquela região está a preocupar os pescadores, que encaram isso como uma ameaça ao futuro, cada vez mais próximo, com o perigo de se dissipar a única fonte de rendimento de que dispõem.
De acordo com o presidente da associação dos pescadores do Calhau, João Melo, estes trabalhadores estão conscientes de que os recursos estão a esgotar-se, “A pressão que se está a exercer sobre aquela ilha é extremamente penalizante. Defendo que deveria haver mais fiscalização relativamente aos processos de pesca praticados, porque são práticas erradas, proibidas por lei, mas que infelizmente não são respeitadas.
Ao que o A NAÇÃO apurou, várias pessoas, vindas de São Pedro e de Santo Antão, procuram a região para pescar. Os conflitos começam a surgir quando a concorrência em volta torna-se desleal. Enquanto há pescadores que praticam a pesca artesanal, há outros que utilizam redes de malha, ou utilizam a técnica do mergulho por meio de espingardas para a captura.

Guarda Costeira e Polícia Marítima de mãos atadas
O A NAÇÃO foi saber junto dos responsáveis pela fiscalização em que pé anda o problema neste momento e, segundo o que se constatou, a situação não é das melhores. De um lado temos a polícia marítima que se diz “manietada”por falta de recurso, do outro temos a guarda costeira, que mesmo em activo, também mostra-se vulnerável no que tange a equipamentos, facto que limita o desempenho das suas funções.
Segundo o Comandante da Esquadrilha Naval, Pedro Santana, enfrentam graves problemas em termos de equipamentos, “Todos os mares de Cabo Verde precisam de mais fiscalização, mas para que isso aconteça temos que ter navios operacionais e não há nada que custe mais dinheiro do que a fiscalização”.
 Dos dois barcos existentes no Porto Grande, só um encontra-se em funcionamento. O “Vigilante” que possui cerca de 40 anos está avariado desde Julho do corrente.Parte dos navios da Guarda Costeira possuem uma idade um pouco avançada. Além disto existe uma dificuldade acrescida   que é a o facto das das máquinas serem russas e da Alemanha oriental o que dificulta e encarece a aquisição de peças sobressalentes”, afirma o comandante.
E quando a situação não poderia estar pior, vem a polícia marítima que se diz limitada pela lei e pela ausência de recursos e que por isso não consegue desempenhar as suas funções.  
“Neste momento, encontramo-nos manietados por falta de recursos”, reconhece o comandandante da polícia nacional, Manuel Monteiro. “ Nós estamos limitados por lei, não detemos determinadas competências que deveríamos ter. Estamos a andar as cambalhotas desde que aconteceu esta mudança de paradigmas e a polícia marítima passou a fazer parte da Polícia Nacional”.
Enquanto isso
Com os recursos a escassearem-se e com a falta de melhores condições de trabalho, a situação complica-se para o lado dos pescadores. “Por vezes passamos uma semana no mar, enfrentamos o mau tempo e regressámos sem nada. Passamos fome, e não há ninguém que olhe por nós. Ficamos aqui a olhar para a cara uns dos outros”, desabafa Daniel.
Enquanto isso, fica-se a espera de melhores dias para esses homens do mar, que abdicam de estar com as suas famílias para se irem aventurar contra as marés. Uma questão de sobrevivência.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011













Santo Antão: estrada Porto Novo – Janela
Duas realidades divergentes

Com construção da Estrada que liga Porto Novo ao concelho do Paul a população responde aos desafios encetados pela diversidade de oportunidades para a ilha na altura da sua inauguração. De um lado há aqueles que acreditam estar a progredir em meio a abertura de novas melhorias ao nível do mercado. E há o lado mais cinzento em que as portas começam a fechar-se, a caminho da precariedade.
O concelho do Paul é um dos que saiu a ganhar com a inauguração da Estrada e os moradores daquele concelho acreditam que as suas potencialidades podem vir a crescer ainda mais. “ As zonas de extensão urbana entraram em franca expansão” afirma Vanda de Oliveira, Economista “e há cada vez mais pessoas a procura de bens e serviços o que acaba por aumentar o rendimento das famílias”.
Anteriormente, a população do Paul fazia cerca de uma hora para chegar ao Porto Novo, tendo que passar por Ribeira Grande. Este factor contribuía e muito para a situação de isolamento e estagnação relativamente ao crescimento económico. Hoje o concelho ganhou uma nova dinâmica, há uma maior circulação de pessoas vindas dos outros concelhos bem como de outras ilhas.
Segundo José Ferreira, presidente da Associação do concelho do Paul AMIPAUL, a Estrada trouxe maior mobilidade ao concelho, tanto a nivel economico como para a integracao social das pessoas. “A estrada permitiu um contacto rapido com o norte e o sul da ilha e ampliou o peso das cargas das estradas, possibilitando o aumento da circulacao de cargas pesadas e cargas pereciveis que chegam em melhores condicoes ao local de destino”.
Apesar dos ganhos, espera-se ainda que muitas portas sejam desencravadas para que, de facto, possam aproveitar os benefícios que a dada infra-estrutura proporcionou àquela região. Apostar no marketing rural e em novas infra-estruturas turísticas são alguns dos pontos reclamados pela população.

Vendedeiras paralisadas pela Estrada
Já na antiga Estrada o cenário é bem diferente. A grande mobilidade que existia no Planalto Leste deu lugar ao abandono. As vendedeiras sentem-se paralisadas com a situação “irreversível” em que aquilo se tornou e mostram-se receosas em relação ao futuro, quando as dificuldades são cada vez maiores.
“ A nova estrada pode ter trazido vantagens para a ilha” adianta Maria Pinheiro, comerciante, “ mas para nós que fazíamos os nossos negócios aqui, acabou tudo. Antes vendia aguardente, feijão e outros produtos e o rendimento era muito bom. Havia muitos carros e muita gente comprava”.
As vendedeiras têm de estar de pé as seis da manha para apanharem o carro que as transporta todos os dias ao concelho da Ribeira Grande. Pagam cerca de quinhentos ate ao concelho  e dali pegam a estrada para se aventurarem em outras paragens, percorrendo varios pontos da ilha a procura de compradores.. As despesas com o transporte chegam a ultrapassar os mil escudos e para muitas não têm compensado.
“ Geralmente, ganho cinquenta escudos por cada queijo, mas não dá para nada. Antes chegava a vender duzentos queijos num dia, porque tinha muitos fregueses e os condutores ajudavam-me a adquirir mais. Hoje só consigo vender dez queijos por dia” afirma Verónica Silva, vendedora de queijos.

 E o depois só Deus sabe
Verónica diz estar a pensar em desistir das vendas, porque o gasto com a deslocação não compensa. Tem sete bocas para sustentar e diz-se num beco sem saída, num lugar  onde as oportunidades de emprego são escassas. “O único plano alternativo que eu tinha era armazenar peixe seco numa arca que tenho lá em casa para depois vender, mas só há luz eléctrica das 07 as onze da manhã”, acrescenta.
 Maria só mora com a irmã que vende água ao lado da sua mercearia, numa antiga casa de queijo. Diz continuar com a pequena mercearia, apesar dos prejuízos, porque muitos dos produtos ultrapassam a validade por falta de compradores. O espaço é pequeno, mas mesmo assim é muito para tão pouca gente.
Apesar das dificuldades, é com um sorriso nos lábios que todas falam daquilo em que se tornou suas vidas, com um olhar de quem nunca perde a esperança em dias melhores.

domingo, 23 de outubro de 2011

Deixa-me Tocar-te



















Deixa-me tocar-te,
Deleitar-me nos teus encantos.
Deixa-me embalar ao som das tuas doces cordas musicais
Encontrar-me na tua perdida voz de aura enternecida.

Deixa-me pousar minha cabeça nas tuas mãos
Sentir teus calos a estalar na minha pele
Teu suor a escorrer pela minha face,
Dizendo-me baixinho ao ouvido
Todas as suas histórias
Suas desevenças e reconciliações de vida.

Deixa-me desvendar-te,
Tocar-te nas tuas cordas e compor-te uma canção.
Deixa-me seguir teus passos
Olhar no fundo do teu mar e não me intimidar
Com o barulho das tuas ondas.
Seguir em frente
Mergulhar na tua alma de artista
Entranhar-te nos ossos
Nos lábios
No sangue.
Desenhar tua escultura na minha essência.

Deixa-me ser tu em tudo
Deixa-me copiar-te em tudo
Deixa-me olhar para ti como meu mundo.
Deixa-me fazer de ti minha intimidade
Minha vitória
Minha história.
Deixa-me possuir-te como se já não fosses ti próprio.
Deixa-me ser tu.

Coisas Loucas


Já ouviram falar em coisas loucas?

Uma flor que desabrocha
Um sol que se abre
O dia que se eterniza
A ternura do vento
O ceu azul
As árvores verdes
A musica

Não te mensionei em nenhuma das minha listas, como esta que acabo de escrever, minha flor de jasmim. Não me lembrei de ti enquanto escrevia, não te fiz aquela cerenata de versos, produzidos com o mais pequeno e docil dos toques, pincelado, ainda por cima, com caneta de tinta a aguarela como tu gostas.

Enquanto me escondia dos teus pecados, da tua insanidade, relembrava os nossos sonhos, os nossos canticos todos os dias de manha; pincelava numa tela de madeira que me ofereceram na viajem, o teu olhar, no mais fundo dos pormenores. Quase que senti dentro de todas aquelas situaçoes loucas que tu me envolveste, quase que atropelava as outras pessoas com os meus gritos desvairados, possuidos pela tua carne, insendiado das coisas mais improprias e insanas que eu já vivi.


Ar
Fogo
Mar
Chuva de verao
Sol escaldante
Risos
Flor de outono
Lua cheia
O anoitecer.

Já ouviram falar em coisas loucas?


Não grites comigo, sabes que eu não te ouço e sabes que eu nunca te irei colocar em nenhuma das minhas listas, por mais incomprensiveis que elas pareçam ser. Seria loucura da minha parte, pensar em ti a uma hora destas, quando estou a tentar fugir da tua isensatez.
(…)
Agora sinto-me em frente a um jardim enorme de flores, enclausurada pelos teus encantos, numa loucura intensa de querer e não querer ser aquilo que eu sou, de estar ao mesmo tempo que nego todos os da minha cor.

Pombo branco
Aura
Asas de borboleta
Abraços
Risos
Felicidade
Amor.

 E tudo o que eu penso, enquanto escrevo, para ti, para mim, para ouvir-me, para ouvir-te, para conhecer-me, para conhecer-te. E se não te coloco em nenhuma das minhas lista e porque nem sempre sei para quem ou com que intensao estou a faze-lo.

Continuaçao de uma vida a procura de uma outra mais feliz, porque a felicidade e tudo aquilo que não se tem, e o oposto do conseguido, pelos vistos!

Já ouviram falar em coisas loucas? Pois e, depois disto, já não podem dizer que não.

Alma e cránio


As vezes é necessário um certo afastamento para desanuviar as tensões da alma e dos ossos. Reflectir melhor (ou não) no que fazer, deixar que o tempo passe um corrector, enquanto continuamos com os nossos pequeninos passos. Depois, quando virarmos os olhos, o observador não será mais o mesmo e tudo não terá passado de uma grande mentira, criada para o nosso conforto.

É incrível! Planeamos o nosso futuro financeiro e nos esquecemos que é muito importante não esgotarmos todos os nossos tecidos emocionais em vivências ocasionais, a custa de males maiores, quando, para o nosso bem, deveríamos ter levantado do acomodamento e dado uma versão diferente a uma simples passagem, escolhendo entre vários caminhos, alternativas diferentes. Talvez por medo – medo de sofrer, medo egoísta, ignorante, enclausurado por uma aura ofuscada pelos males do mundo. É nestas horas que eu digo “maldito subconsciente!



Monte Joana (Santo Antão)

Monte Joana (Santo Antão). Uma região que até os dias de hoje não possui uma estrada de acesso. As pessoas tem de fazer o percurso íngreme todos os dias para a vila. Hoje a população está a diminuir e muitas casas estão abandonadas.

Roças


Não te parece que a vida
Será para ti um mar de rosas,
Quando os da tua cor roçam as mãos
Na terra frenética,
Em busca de pão para a boca.

Quando os teus sonhos encontrados,
Para os outros signifiquem latejar,
Queimar a espinha num sol abrasador,
Derramando lágrimas
No pó da estrada que nos fechaste,
Remoendo pensamentos queimados de ideias,
Vazios de sensações,
Repisando nos teus passos de puro desconcerto.

Desespreso





Minha alma indolente,
Renasceu dos infinitos céus
Com represálias sobreviveu
Bem vivida como a terra que eu piso
Como os sovacos com que me pareço

Alma minha perdida
Que mais parece um caixão cheio de flores
Que engana qualquer que se ouse aproximar
Veneno de morte aos que dela se embebedaram
Pobretões ignorantes
Que nem se identificam como gente
Por deles só saberem cortejar na mágoa dos que falharam por eles
Na mágoa de eu ser gente.

Aonde vais meu eu
Que não te deixo sair por aquela porta
Por medo de não mais virares para mim
Com a luz que te cega e te nega o direito de seres eu
Por de mim nada esperares senão inimizades
E por eu não te deixar sair por aquela porta.

Diálogo sonético.



O tempo passa depressa.

A vida é mais uma página virada,

Quando tudo se esvai da lembrança

 E o vácuo que fica

 Nas entrelinhas de nossas mãos

 Ninguém as consegue desvendar mais.



O tempo não existe,

 O futuro é incerto,

 As vozes mal se ouvem,

Os ecos dispersos em uníssono,

Confundem a nossa compreensão

 Sobre o bem e o mal.