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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Meu encontro com África Parte I


















Por entre as escadarias de minha sombra, encontro-me com os melaços de uma pele desconhecida. Em metamorfoses sibilantes com as cores quentes de um mundo até então por mim misterioso. África. Danço nas rotinas de meu sono, nos tambores da noite, nos zumbidos dos bichos. Danço ao som de músicas que nunca me chegaram senão aos vértices e que, em tempos, me passaram despercebidas, porque de mim, pensava, nada me dizerem respeito.
A arena empoeirada, os pés furados pelo sol, descalços. Olhares mansos, profundos, catalisados, perfurantes, por vezes medonhos, incógnitos, fizeram-me, em tempos, recuar, sair de meu trilho.

Hoje arrasto os sons, em silêncio, no rosnido da noite, por entre meus vértices, minhas curvas. Trespassam-me. Vão mais fundo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Voo dos Pássaros


Vejo os pássaros que voam na sua torrente lânguida de ternura e paz.

Lua arenosa e fria toca- me as vestes, penetra o meu corpo e diz-me para ter caalma. 

Vejo os pássaros que voam e no meio do chão cilindrado encontro pequenos seres verdes que brotam da terra seca e árida. 


Vejo os pássaros que voam, abro os braços e peço-lhes que me venham buscar. 


Estendo os braços para o céu e tento tocar a superfície côncava, no azul que me faz esquecer os meus vértices e concentrar- me no mundo. Oiço o som das rochas e do mar e das ondas que, numa comunicação própria, dizem-me para ter calma.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Identidade Cabo-verdiana “Afinal quem somos?!”



Costumo dizer que, enquanto continuarmos aqui imersos no desconhecido, enquanto não se ganhar uma consciência patriótica das nossas origens e das pessoas que marcaram e muito a nossa história; enquanto não se criar laços com a nossa cultura, numa espécie de reconciliação tardia com aquilo que é nosso; enquanto não tivermos consciência da nossa verdadeira identidade, mais consciência ainda que essa mesma identidade deve estar em  perfeita harmonia com a natureza, com as nossas rochas, com as nossas pedras e tudo aquilo que nos cerca e que faz de nós seres singulares. Enquanto isso não acontecer, podem vir os pousos dos intelectuais com discursos "palelas", discursos de entrosamento, discursos de veneno, daquilo que acham que é o certo, daquilo que deveria ser feito, daquilo que não deveria ser feito destilando ao mesmo tempo os discursos de seu pares.

Cada um precisa sentir a cultura dentro dele, cada um deverá buscar conhecer essa cultura, porque no dia em que isso acontecer, nós seremos realmente uma nação, um povo distinto, poderoso, onde não será mais preciso assistir situações deploráveis do sentimento de inferioridade para com os outros povos, porque nós saberemos que somos especiais, e que temos de dar continuidade a luta que os nossos irmãos nos entregaram em mãos, mas  que, infelizmente, tem estado cristalizada nas mãos erradas.

As autoridades e todos aqueles que se acham no direito de impor ordem a nossa sociedade, provavelmente porque têm poderes para isso, não querem que isso aconteça, não querem que descubramos este tipo de informações. Deturpam a nossa história, abafam os acontecimentos, os nossos heróis da espingarda, heróis da palavra.

Acorda sociedade cabo-verdiana! Abram as portas das vossas mentes, procurem, pesquisem, conversem com os mais velhos, descubram aquilo que nos, que vos pertence, porque só depois disso poderão dizer de peito aberto que tem orgulho de pertencerem a este povo. Depois disso retomamos lá onde as coisas nunca deveriam ter parado, que é a luta. Deixemos de ser um povo "lambe botas", um povo dos altos discursos, dos "bla bla", do individualismo, da competição por um ego mal curado, dos discos riscados. Passemos disso. Precisamos ser mais pragmáticos, mais incisivos, objectivos, com o sentido de um bem maior e não do protagonismo.


Façamos por merecer a nossa autonomia enquanto povo, enquanto nação. Temos que aniquilar esta cultura que se instalou aqui, que é a da roda da espera. Não esperemos por X ou por Z, avancemos, criando projectos em grupo e materializando esses mesmos projectos, porque nós temos capacidades para isso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas?





“Temos uma taxa de acesso ao ensino superior que ronda os 20 porcento, melhor que a da África que fica pelos 6% e superando os 17% das Ilhas Maurícias. Igualamos mesmo países com níveis de desenvolvimento superiores ao nosso como a China e a Indonésia”, aponta JMN que identifica como “crítica para o sucesso” do ES o nível de capacitação dos professores. E é por isso para eles que se viram também as apostas estratégicas para o sector. (http://daivarela.blogspot.com)

Competir com o ensino superior lá fora? Como é que isso pode ser possível no estado em que isto se encontra?

Não é por termos ( e temos?!) mais condições de acesso ao ES, ou por termos índices que superam as do continente africano (!) que nós vamos nos vanguardear de estar a melhorar em termos de ensino.

Por exemplo, incomoda-me esta cultura desvirtuada de nos comparem sempre e em tudo com os outros países africanos. Neste sentido até pergunto, que "franja" da realidade africana é que nós estamos a falar? É tipo estender duas camisolas velhas e sujas no varal: a primeira está demasiado encardida e pensa-se que, mediante as lavagens, se está a fazer de tudo para que o branco apareça e depois vem o consolo, que é encontrar uma camisola mais encardida ainda para estender no mesmo varal e assim disfarçar as coisas. 


Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas? 

Um Ensino Superior que não nos prepara de verdade para a realidade profissional; umas Universidades que abrem as portas sem as mínimas condições e o MES não faz nada; umas Universidades que, continuamente, fazem as mesmas asneiras que são abrir os mesmos cursos todos os anos (com predilecção para as áreas sociais, porque custam menos); que não fazem estudos de mercado 
para saber o nível de procura e oferta (também, porque isso não existe em Cabo Verde. Aliás, no que toca a estudos, banco de dados, estatística nós somos praticamente ZERO) . Depois é um amontoado de licenciados (que bonito: mais licenciados, mais desenvolvimento). Isto acarreta uma saturação em termos de oferta e da procura de emprego nessas áreas o que conduz, logicamente, a mais desemprego, a mais padeiros licenciados, vendedores nas lojas chinesas licenciados, mais assistentes administrativos licenciados e por ai adiante. Mas, o nosso Ensino Superior é "the best".

E depois temos o nosso brilhante sistema de ensino para piorar as coisas. Aliás, as coisas já chegam "deterioradas", porque o EBI e depois o Ensino Secundário, que são as bases dessa pirâmide "VANGUARDISTA" não funcionam como deveriam.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Palavras de um REI


Quem são estas pessoas que me prendem, estas mãos, estes rostos? Quando olho para trás não vejo nada, mas se paro, sinto, ouço vozes, ouço o meu nome. De quem são estas marcas em que piso, estes traços?

Do nome não lhes sei lembrar e nem quero. Só não me venham delimitar os meus versos, não corrijam aquilo que só da vossa alma escura vem. Sai às pressas, a procura daquilo de que não gosta, com o pretexto das minhas letras.

Minha dor nada tem a ver com esses magnatas. Reis da palavra e dos versos todos. Reis de tudo e de coisa alguma, quando nem o nada se considera vazio e todos acham que sabem, quando o desconhecimento é total, porque a sabedoria só não vira pó se passar por mim como penugem.

De quem são estas palavras negras. De onde vem esta impetuosidade, esta grandeza de espírito? E este silêncio que paira quando parece já estar tudo dito?

sábado, 5 de novembro de 2011

Escuridão

A poesia morreu desde o momento em que os olhares se embaciaram e não se consegue mais ver o outro. Quando o nosso corpo incompreendido, desconhecido até, nos desperta apenas desejos  carnais.


Não consigo tocar-te, não consegues tocar-me, não sei quem sou, nem quem és. Não te conheço, não me conheces. Somos parentes, somos amigos, somos gentes. A mesma forma, as mesmas curvas, os mesmos gestos. Tudo corpo. Apenas corpo. Mas não consigo tocar-te.


A poesia do homem  esgueirou-se por entre as trevas do inconsciente. E ficou lá. Os olhares todos virados para o chão. As mãos serradas em punho. Depois vem o silêncio. Mais silêncio ainda. E até este é mal compreendido, porque não o sabem tocar. 


Não consigo ser eu, porque sou sempre os outros. E os outro somos nós. De repente não somos ninguém. Não há espaço para tantas almas perdidas.


Morreu o eu, o nós. Ou adormeceu. Se pensar que sim, talvez ainda haja uma esperança.


O reencontro talvez esteja próximo. Mas a luz será forte demais, não o conseguiremos suportar. 
Depois de tanto tempo de escuridão.


Ouço música. Penso...Toco-me por dentro. Sinto-me...

domingo, 23 de outubro de 2011

Alma e cránio


As vezes é necessário um certo afastamento para desanuviar as tensões da alma e dos ossos. Reflectir melhor (ou não) no que fazer, deixar que o tempo passe um corrector, enquanto continuamos com os nossos pequeninos passos. Depois, quando virarmos os olhos, o observador não será mais o mesmo e tudo não terá passado de uma grande mentira, criada para o nosso conforto.

É incrível! Planeamos o nosso futuro financeiro e nos esquecemos que é muito importante não esgotarmos todos os nossos tecidos emocionais em vivências ocasionais, a custa de males maiores, quando, para o nosso bem, deveríamos ter levantado do acomodamento e dado uma versão diferente a uma simples passagem, escolhendo entre vários caminhos, alternativas diferentes. Talvez por medo – medo de sofrer, medo egoísta, ignorante, enclausurado por uma aura ofuscada pelos males do mundo. É nestas horas que eu digo “maldito subconsciente!