Encostos da minha alma serpenteiam por entre as brisas do meu ventre, a procura de coisas vãs... Vozes que me guiam dizem-me para não olhar para trás. Toco-me por dentro e vejo que ainda sou gente. Transpiro a ferrugem e as coisas recompõe-se. Sento-me na poltrona a espera de uma alucinação qualquer que me faça redescobrir as cores. Escrevo. Medito. Revejo-me. Esqueço-me das cores febris da noite que por instantes me fizeram perder o centro. Pincelo as escadas. Levanto-me do chão. Sigo em frente.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Diáspora cabo-verdiana mais informada com o lançamento do WEBTV
O Instituto das Comunidades, IC, lança hoje na
cidade da Praia o projecto do WEBTV – Cabo Verde Global no intuito de levar a
que toda a diáspora cabo-verdiana esteja mais informada acerca do que se passa
em Cabo Verde. O Site contém diversas áreas e funcionalidades com informações
institucionais, emissões on-line em directo, arquivos, vídeos sobre a
globalidade do país, áudio, galeria de fotos e outros.
O lançamento será presidido pela Ministra das Comunidades, Fernanda Fernandes e transmitida em directo através do site www.icwebtv.com.cv para toda a diáspora cabo-verdiana. A seguir será feito um balanço dos “Workshops Interactivos – Migrações, Família, Diáspora e Associativismo” através do mesmo site.
Conforme
descrito na folha de apresentação do Instituto das Comunidades, trata-se de “um serviço
personalizado do Estado, encarregado de promover e executar a política
governamental relacionada com as comunidades cabo-verdianas no exterior. O IC é
uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa,
financeira e patrimonial, que funciona sob a orientação do Ministério das
Comunidades Emigradas. O Instituto tem sede na Praia, mas pode criar delegações
ou outras formas de representação em qualquer ponto do território nacional ou
no exterior".
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Turismo de aventura ganha terreno em Santo Antão
A procura de um turismo
diferenciado atrai cada vez mais estrangeiros para a ilha de Santo Antão. Todas
as semanas cerca de 230 turistas franceses chegam à ilha em busca de aventuras nas
zonas rurais, montanhas e vales. Um alento para os operadores turísticos, mas
que ainda não atingiu a “velocidade de cruzeiro” por falta de disponibilidade
hoteleira para responder à demanda.
De
2010 para 2011, o número de passageiros que desembarcam no Aeroporto Internacional
Cesária Évora, em São Vicente, para desfrutar da variedade paisagística da
vizinha Santo Antão cresceu 50 por cento. Mas o crescimento poderia ser maior, expressa
o director do aeroporto, Nuno Santos, não fosse a falta de infra-estruturas na
ilha das montanhas para acolher aquelas que vêm da Europa com desejo de
desafiar a natureza, percorrer trilhas em bicicleta ou a pé para descobrir o
mundo rural.
“Os
grandes operadores turísticos por vezes ficam limitados. Não podem fazer
grandes investimentos - e há bastante margem para isso - porque não há hotéis
com capacidade suficiente para um maior número de hóspedes. Os turistas quando
optam por Cabo Verde vêm à procura de sítios rurais e de hotéis que tenham
traços da realidade cultural destas ilhas e há poucos desses em Cabo Verde”.
Para
além disso, por não haver complexos turísticos para albergar um número
significativo de turistas de uma só vez, faz com que os operadores não consigam
oferecer um pacote pré-pago “all inclusive”, facto que, segundo Nuno Santos,
traduz-se numa vantagem mas, ao mesmo tempo, numa desvantagem.
“É
vantajoso nesse aspecto, porque como não vêm com o pacote pré-pago, eles tem de
sair à procura de alguns serviços, restaurantes; e isso implica dividendos para
os locais por onde eles passam. Traz uma nova dinâmica à economia da ilha,
converge em oportunidades de negócio e é atractivo para os próprios operadores.
Por outro lado, pode ser uma desvantagem na medida em que não podemos fazer
economia de escala, o que aumentaria o número de turistas que viriam para Cabo
Verde. Ou seja, quanto maior o número, menores são os preços e nós ganhamos na
margem”.
Turismo de trekking em Santo Antão
Todas as semanas a ilha de Santo Antão recebe cerca de 230 turistas vindos de França, em busca
da natureza, das montanhas e dos contrastes para a prática do trekking
(caminhadas em trilhas em busca do contacto com a natureza e culturas
diferentes). Normalmente os percursos escolhidos são Cova – Paul ou Cruzinha –
Fontainhas – Ponta do Sol. Uma prática que existe desde a década de 90, mas que
tem vindo a ganhar terreno, sobretudo com o envolvimento significativo de
operadores turísticos que vêem neste tipo de turismo um potencial a ser
explorado.
A
organização é feita pela Aliança Crioula, constituída por um conjunto de agências
entre os quais CABETUR, CABOLUX, NOVATUR e INCO. Os turistas chegam à ilha na segunda-feira
de manhã, após uma breve paragem na cidade do Mindelo, e dirigem-se aos três
concelhos. Alojam-se em hotéis, residenciais e pensões, fazendo-se acompanhar
por um guia.
Uma
lufada de ar fresco
As
ilhas de Santo Antão, Fogo, São Nicolau e Santiago podem ser, dizem os operadores
turísticos, não só “a salvação para o turismo em Cabo Verde” como a garantia de
“manutenção da identidade cabo-verdiana”. E é nestas ilhas que podem vincar o
trekking e o turismo cultural.
Segundo
uma representante da Aliança Crioula, o turismo sempre sairá a perder se os
operadores continuarem a apostar apenas na vertente balnear.
“O turismo só
existirá em Cabo Verde quando este for fidelizado, facto que ainda não
acontece. Os turistas que procuram Cabo Verde como destino nunca mais
regressam, porque voltam para os respectivos sem conhecer realmente o
diferencial que marca estas ilhas e que, se for explorado, pode reverter esta
situação. Este país de contrastes, das imagens, da música, da cultura resume-se
para a maior parte deles em sol e praia”.
Apostar
no turismo rural e cultural são imperativos que deverão estar na linha da
frente, quando o assunto se vira para a sustentabilidade do sector. Segundo o empresário
José “Djo Pan” Oliveira, para além dos benefícios socioeconómicos, o produto
turístico cabo-verdiano sai “extremamente enriquecido quando tem a
complementaridade Santo Antão. Eu diria mesmo que a sustentabilidade do turismo
cabo-verdiano passará indubitavelmente pelas ilhas de cultura mais marcante como
Santiago, Santo Antão, Fogo e São Nicolau”.
Centro de Expurgo do Porto Novo só para inglês ver
O Centro de tratamento e certificação de produtos agrícolas do Porto Novo, inaugurado há mais de um ano para facilitar o escoamento daquilo que se produz em Santo Antão para outras ilhas, não tem data marcada para começar a funcionar. Enquanto isso os agricultores da região enfrentam graves dificuldades para escoar batata comum e outras verduras, acabando por perder boa parte da colheita.
Segundo a coordenadora do centro, Flávia Silva, o espaço ainda não tem previsão para começar a funcionar devido à falta de operadores marítimos para fazer a ligação com as ilhas do Sal e da Boa Vista, que constituem mercado promissor para o consumo das hortaliças, batata, mandioca e outros produzidos em Santo Antão. Entretanto Silva avança que neste momento dois operadores, um de São Vicente e outro da cidade da Praia, estão a efectuar estudos de viabilidade do projecto, mas ainda não deram sinal de avançar.
“Além de operadores marítimos, estamos neste momento a contactar pessoas interessadas em comercializar o produto nessas ilhas que poderão fazer a mediação com os hotéis e também desenvolvemos um trabalho de fundo com os agricultores para que possam produzir de forma sincronizada e dar resposta às necessidades do mercado que possui uma periodicidade fixa para a recepção de produtos”.
Agricultores em dificuldades
Sem data prevista para a abertura do centro, os agricultores continuam a enfrentar graves dificuldades para escoar seus produtos. Por ano cada agricultor gasta em média 15 mil escudos no cultivo da batata, valor correspondente a 500kg de batata. Mas devido à falta de um local adequado para a armazenagem e de mercado para escoar os produtos, vendem a colheita a qualquer ou vêem-na estragar ali mesmo nas hortas.
Neste momento, estão a vender um quilo de batata por 60 escudos e a tendência é que o preço baixe à medida que a produção aumenta, principalmente da zona de Martiene. Este facto vem prejudicando os agricultores todos os anos, porque para além de mais de metade das batatas estragar, a quantia que conseguem arrecadar nas vendas não chega para sustentar as respectivas famílias.
“Semeamos normalmente 50 kg de batatas para colhermos cerca de 500kg. Se vender por um kg por 60 escudos normalmente só consigo arrecadar cerca de 30 mil escudos, tirando a parte que se estraga. Desse valor tenho que retirar 22 mil escudos para cobrir as despesas com a sementeira, portanto não sobra quase nada”, explica o agricultor Januário Cruz, de Martiene.
O mau sistema de troca
A falta de condições para a comercialização dos produtos preocupa os agricultores que se dizem explorados pelos negociantes vindos de São Vicente. É que, comprando cada kg de batata por um preço tão baixo, chegam em São Vicente e revendem aos comerciantes por um preço muito elevado.
De ano para ano a situação torna-se mais complicada com a diminuição da procura, com o agravante que é a falta de um local de armazenamento. “Nós não nos deslocamos com mais de 500 kg de batatas, porque corremos sérios risco de regressar com ela para casa novamente. Às vezes é difícil escoar 50kg de batatas”, conta Januário.
O Centro de Tratamento de Produtos Agrícolas de Santo Antão (CTPA – SA) foi inaugurado a 15 de Outubro de 2010 com a função de licenciar os produtos que, após serem inspeccionados seriam devidamente embalados, poderão ser enviados para mercados como Sal e Boa Vista. Isso tudo para impedir que a praga do mil-pés espalhe de Santo Antão para outras ilhas.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Para os leitores
Dentro em breve este espaço passará a contar com a colaboração de Odmiro Teixeira e Nilton Andrade. Os conteúdos continuarão a ser os mesmos, nunca esquecendo, é claro, o lado literário que é o registo mais forte que caracteriza o blogue. Terá, certamente, mais diversidade em termos de conteúdo, com perspectivas diversas sobre a nossa sociedade e o mundo.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Minhas DIVAS
Tudo o que existe, existe por existir uma DIVA entre os
ressentidos, os desenfreados, por esta mestiçagem a que se chama gente,
mas que não passam de reflexos de vidas sombrias, oriundas da podridão dos
seres inanimados.
Tudo o que se
escapa por entre as mãos, esquecida por tantos passos, num ir e vir de
preocupações, exaustão, esquecida por esta insensibilidade que dorme neste sofá
cheio de pó. Pó este que se transforma, embrulhado em fumaceira, estirado no
meio do nada, envolto por tantos porquês, a espera de uma oportunidade de
resposta.
Nesta alegoria
de vida, sentada na penumbra do meu ser, penso em coisas boas, coisas que me
fazem sentir bem e digo: eu só existo por existir na minha vida DIVAS como tu.
(A todas
as DIVAS da minha vida, sobretudo minha mãe. Em meados de Outubro de 2006)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Identidade Cabo-verdiana “Afinal quem somos?!”
Costumo
dizer que, enquanto continuarmos aqui imersos no desconhecido, enquanto
não se ganhar uma consciência patriótica das nossas origens e das pessoas que
marcaram e muito a nossa história; enquanto não se criar laços com a nossa
cultura, numa espécie de reconciliação tardia com aquilo que é nosso; enquanto
não tivermos consciência da nossa verdadeira identidade, mais consciência ainda
que essa mesma identidade deve estar em
perfeita harmonia com a natureza, com as nossas rochas, com as nossas
pedras e tudo aquilo que nos cerca e que faz de nós seres singulares. Enquanto
isso não acontecer, podem vir os pousos dos intelectuais com discursos
"palelas", discursos de entrosamento, discursos de veneno, daquilo que acham que é o certo, daquilo que
deveria ser feito, daquilo que não deveria ser feito destilando ao mesmo tempo
os discursos de seu pares.
Cada
um precisa sentir a cultura dentro dele, cada um deverá buscar conhecer essa
cultura, porque no dia em que isso acontecer, nós seremos realmente uma nação,
um povo distinto, poderoso, onde não será mais preciso assistir situações
deploráveis do sentimento de inferioridade para com os outros povos, porque nós
saberemos que somos especiais, e que temos de dar continuidade a luta que os
nossos irmãos nos entregaram em mãos, mas
que, infelizmente, tem estado cristalizada nas mãos erradas.
As
autoridades e todos aqueles que se acham no direito de impor ordem a nossa
sociedade, provavelmente porque têm poderes para isso, não querem que isso
aconteça, não querem que descubramos este tipo de informações. Deturpam a nossa
história, abafam os acontecimentos, os nossos heróis da espingarda, heróis da
palavra.
Acorda
sociedade cabo-verdiana! Abram as portas das vossas mentes, procurem,
pesquisem, conversem com os mais velhos, descubram aquilo que nos, que vos
pertence, porque só depois disso poderão dizer de peito aberto que tem orgulho
de pertencerem a este povo. Depois disso retomamos lá onde as coisas nunca deveriam ter parado, que é a luta. Deixemos de ser um povo "lambe
botas", um povo dos altos discursos, dos "bla bla", do
individualismo, da competição por um ego mal curado, dos discos riscados. Passemos
disso. Precisamos ser mais pragmáticos, mais incisivos, objectivos, com o
sentido de um bem maior e não do protagonismo.
Façamos por merecer a nossa autonomia enquanto povo, enquanto nação. Temos que aniquilar esta cultura que se instalou aqui, que é a da roda da espera. Não esperemos por X ou por Z, avancemos, criando projectos em grupo e materializando esses mesmos projectos, porque nós temos capacidades para isso.
Façamos por merecer a nossa autonomia enquanto povo, enquanto nação. Temos que aniquilar esta cultura que se instalou aqui, que é a da roda da espera. Não esperemos por X ou por Z, avancemos, criando projectos em grupo e materializando esses mesmos projectos, porque nós temos capacidades para isso.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas?
“Temos uma taxa de acesso ao ensino superior que ronda os 20 porcento, melhor que a da África que fica pelos 6% e superando os 17% das Ilhas Maurícias. Igualamos mesmo países com níveis de desenvolvimento superiores ao nosso como a China e a Indonésia”, aponta JMN que identifica como “crítica para o sucesso” do ES o nível de capacitação dos professores. E é por isso para eles que se viram também as apostas estratégicas para o sector. (http://daivarela.blogspot.com)
Competir com o ensino superior lá fora? Como é
que isso pode ser possível no estado em que isto se encontra?
Não é por termos ( e temos?!) mais condições de acesso ao ES,
ou por termos índices que superam as do continente africano (!) que nós vamos
nos vanguardear de estar a melhorar em termos de ensino.
Por exemplo, incomoda-me esta cultura desvirtuada de nos comparem sempre e em tudo com os outros países africanos. Neste sentido até pergunto, que "franja" da realidade africana é que nós estamos a falar? É tipo estender duas camisolas velhas e sujas no varal: a primeira está demasiado encardida e pensa-se que, mediante as lavagens, se está a fazer de tudo para que o branco apareça e depois vem o consolo, que é encontrar uma camisola mais encardida ainda para estender no mesmo varal e assim disfarçar as coisas.
Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas?
Um Ensino Superior que não nos prepara de verdade para a realidade profissional; umas Universidades que abrem as portas sem as mínimas condições e o MES não faz nada; umas Universidades que, continuamente, fazem as mesmas asneiras que são abrir os mesmos cursos todos os anos (com predilecção para as áreas sociais, porque custam menos); que não fazem estudos de mercado para saber o nível de procura e oferta (também, porque isso não existe em Cabo Verde. Aliás, no que toca a estudos, banco de dados, estatística nós somos praticamente ZERO) . Depois é um amontoado de licenciados (que bonito: mais licenciados, mais desenvolvimento). Isto acarreta uma saturação em termos de oferta e da procura de emprego nessas áreas o que conduz, logicamente, a mais desemprego, a mais padeiros licenciados, vendedores nas lojas chinesas licenciados, mais assistentes administrativos licenciados e por ai adiante. Mas, o nosso Ensino Superior é "the best".
Por exemplo, incomoda-me esta cultura desvirtuada de nos comparem sempre e em tudo com os outros países africanos. Neste sentido até pergunto, que "franja" da realidade africana é que nós estamos a falar? É tipo estender duas camisolas velhas e sujas no varal: a primeira está demasiado encardida e pensa-se que, mediante as lavagens, se está a fazer de tudo para que o branco apareça e depois vem o consolo, que é encontrar uma camisola mais encardida ainda para estender no mesmo varal e assim disfarçar as coisas.
Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas?
Um Ensino Superior que não nos prepara de verdade para a realidade profissional; umas Universidades que abrem as portas sem as mínimas condições e o MES não faz nada; umas Universidades que, continuamente, fazem as mesmas asneiras que são abrir os mesmos cursos todos os anos (com predilecção para as áreas sociais, porque custam menos); que não fazem estudos de mercado para saber o nível de procura e oferta (também, porque isso não existe em Cabo Verde. Aliás, no que toca a estudos, banco de dados, estatística nós somos praticamente ZERO) . Depois é um amontoado de licenciados (que bonito: mais licenciados, mais desenvolvimento). Isto acarreta uma saturação em termos de oferta e da procura de emprego nessas áreas o que conduz, logicamente, a mais desemprego, a mais padeiros licenciados, vendedores nas lojas chinesas licenciados, mais assistentes administrativos licenciados e por ai adiante. Mas, o nosso Ensino Superior é "the best".
E depois temos o nosso brilhante sistema de ensino para piorar as coisas. Aliás, as coisas já chegam "deterioradas", porque o EBI e depois o Ensino Secundário, que são as bases dessa pirâmide "VANGUARDISTA" não funcionam como deveriam.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Sinfonias
Estou de olhos
fechados. Consigo ver vossos gestos, sentir vossa luz.
Tocam a essência
que nos entorpece a alma, nos abranda o caminho e nos faz desligar das coisas
pobres de significado.
Traço linhas
horizontais na minha mente e surge-me um aclarar de sons nostálgicos que me
inalam os sentidos, inundam-me o peito, invadem minha alma, acalentando as
minhas preces por mais um dia de espectáculo.
Uma sombra de
poeiras levanta-se diante de mim e desaparece no limiar das torrentes de ar, deixando
um som no enorme vazio, numa simetria fascinante com tudo aquilo que me cerca.
Mas mesmo assim, não consigo vê-la tão artista quanto vós, também partículas da
natureza viva e bem viva.
“Não vale a pena chorar a crise”
Emanuel Spencer,
empreiteiro de Santo Antão
Quando tanto se fala em crise, Emanuel Spencer –
sócio-gerente da Spencer Construções & Imobiliária (SCI), baseada em Santo
Antão – diz encarar o futuro com optimismo. Com várias obras em curso naquela
ilha, a sua empresa também tem em curso adjudicações em Angola e na
Guiné-Bissau. Um caso único de internacionalização a partir de Santo Antão.
Maior empregador
privado de Santo Antão, a SCI está sediada na Ponta do Sol, Ribeira Grande,
sendo actualmente um nome incontornável na economia da ilha. Basta dizer que
emprega cerca de 350 efectivos, 25 dos quais quadros superiores, sendo 10
estagiários. Aliás, uma das apostas da empresa passa, precisamente, na aposta em
jovens quadros licenciados através de parcerias com instituições de ensino
superior, nomeadamente a Uni-CV, ISCEE e Universidade do Mindelo, mas também
com instituições congéneres do Brasil e Portugal.
Formação e inovação
Emanuel Rachid
Spencer é um dos fundadores e sócio-gerente da Spencer Construções &
Imobiliária, que, não obstante a crise internacional, se mostra optimista com o
futuro. “Não vale a pena chorar a crise”, recomenda, quando questionado sobre o
assunto.
Talvez porque no caso da SCI a
razão não seja para menos. Nos últimos cinco anos, os investimentos efectuados
por ela em projectos próprios em Santo Antão ultrapassam os 700 mil contos. A
isso soma-se os investimentos feitos por terceiros, mas ligados à SCI, que
correspondem a mais de um milhão de contos, também no mesmo período. Com um
aumento de facturação de 70 por cento a SCI empregava
em 2010 cerca de 200 pessoas, passando a 350 em 2011. Esse número poderá,
entretanto, aumentar para 500 em 2013.
Numa palavra, sobre
a crise propriamente dita, Emanuel Spencer diz que ela não se faz sentir na SCI
e defende que a melhor estratégia para driblar as dificuldades é através de
investimentos. “Investir em áreas como agricultura, barragens, portos,
aeroportos, significa apostar no crescimento e desenvolvimento económico dos
país”, enumera.
E acrescenta em tom
de aviso aos navegantes: “Deixar de investir no mercado imobiliário significa
desemprego, falta de dinheiro. Pelo contrário, temos que injectar alguma
energia para que o mercado possa se manter de pé, porque temos que continuar a
lutar. Não vale a pena chorar a crise, os projectos não param, temos que
movimentar o dinheiro para que as pessoas consigam sobreviver. Sou a favor da
contenção, mas não desperdício ou do imobilismo”.
E, da parte que lhe
toca, a SCI aposta na formação e modernização dos produtos e serviços como
forma de atrair novos clientes. Uma das suas apostas, por exemplo, é o recurso
a novas ferramentas de trabalho e divulgação, nomeadamente a tecnologia 3 D,
através da qual os clientes poderão visualizar melhor o projecto antes de este
ficar concretizado. Quatro arquitectos e dois desenhadores da SCI estão neste
momento a ser formados.
Na mesma linha, SCI
procura conhecer novas realidades e por isso tem apoiado missões dos seus quadros
a eventos como a Feira Internacional de Artesanato e a FIC, ambas no Mindelo,
ou então a Feira de Arquitectura, em Barcelona. “É necessário apostar na
inovação e isto só acontece quando se entra em contacto com outras realidades.
Na feira de Barcelona, por exemplo, os nossos quadros podem conhecer novos
produtos, novos sistemas de design, novos materiais, numa palavra, podem
expandir a sua criatividade para novas dimensões para podermos estar à altura
de novos mercados”.
Extramuros, Angola
e Guiné-Bissau já fazem parte do campo de acção da SCI. Neste mês de Janeiro
arranca com a construção de um conjunto de habitações sociais na Guiné-Bissau,
que irá abranger famílias de média e baixa renda. Estas habitações serão
construídas em Bissau, Gabu e Bafatá e são realizadas em parcerias com
entidades guineenses, sendo uma delas a Câmara Municipal de Bissau e o
Instituto Nacional da Previdência Social daquela país irmão.
Na verdade, o
projecto existe desde Junho passado, fruto de prospecções de mercado efectuadas
após uma viagem feita àquele país, que Emanuel Spencer conhece bem, já que nele
nasceu e viveu. Esta iniciativa contou com a colaboração de alguns empresários
e com a Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Em Angola já existe
uma empresa de construção civil , a “Spencer Epgurb Construções, de que a SCI é
sócia maioritária, com 65% do capital social. Aqui já tem a seu cargo ou
disputa a construção de estradas em Bengo, Kwanza Norte e Kwanza Sul.
Emanuel Spencer
afirma-se optimista quanto aos próximos tempos, sublinhando que esses
investimentos representam, futuramente, a melhoria das condições económicas não
só da SCI, como de Cabo Verde em geral e de Santo Antão em particular.
“A possibilidade de
expandir o mercado lá fora significa aumentar a nossa carteira de clientes.
Neste sentido, está prevista uma facturação de 50 milhões de dólares, o que
corresponde em mais de 80% do mercado em Cabo Verde. Na primeira fase contamos
enviar cerca de 50 trabalhadores, entre técnicos superiores; e, na segunda,
mais 100, entre mecânicos, canalizadores, electricistas e outros. Já estamos a
prepará-los neste sentido, através de formações”.
Consolidação do
turismo
Apesar dos bons
ventos externos, a SCI não se esquece do seu mercado inicial, Santo Antão.
Segundo o seu “big boss”, a empresa vai continuar a apostar na melhoria da
capacidade de recepção de turistas na ilha, o que passa pelo aumento do número
de camas disponíveis.
Um exemplo de tal
aposta é a construção de mais um aparthotel, o “Hotel Vista Oceano”, na Ponta
do Sol, cuja inauguração está prevista
para Dezembro de 2013. A primeira fase do projecto começou em Setembro de 2008
e está orçado em 180 mil contos, para acolher 50 apartamentos, seis zonas
comerciais e uma piscina. No total serão mais 130 camas disponíveis que
contribuirão, sem dúvida, para a diminuição da carência da ilha neste sentido.
O Sinagoga Resort é
um outro empreendimento também abraçado, conjuntamente, com a Câmara Municipal
da Ribeira Grande e outros operadores, sendo a SCI o accionista maioritário com
42.5%. A primeira fase da obra termina também em Dezembro de 2013, com as 44
vivendas prontas na mesma altura, seguindo-se a segunda fase que consiste na
construção de um hotel de 70 quartos, num total de 400 camas.
O entrevistado de A
NAÇÃO acredita que Santo Antão tem de ter o seu lugar no turismo cabo-verdiano.
“Temos que lutar para que Santo Antão se desenvolva em termos de turismo,
porque trata-se de uma ilha com grandes potencialidades que precisam ser
exploradas”, acrescenta.
Da sua parte, Emanuel
Spencer diz nunca se ter arrependido de ter escolhido Santo Antão como o núcleo
dos seus investimentos e que, pelo contrário, pretende continuar a apostar na
ilha e nos jovens quadros, já que oportunidades de negócios no país e no
estrangeiro é coisa que não falta. A crise, acredita, pode ser uma oportunidade
de a Spencer Construções & Imobiliária ir mais longe na busca de novas
metas.
*
Djibla e o seu blogue de parede
Djibla
é o fotógrafo mais conhecido de São Vicente, sobretudo pelo famoso mural de
publicações logo à entrada de sua loja, na rua São João, no centro do Mindelo.
Um autêntico blogue de parede, com tudo a que público tem direito, inclusive
comentários e sugestões.
As manchetes estão mais viradas para o
sensacionalismo, com notícias de acidentes e assassinatos. No entanto, há o
lado há mais cómico, com registos das situações caricatas e bizarras que vão
tendo lugar em São Vicente, em Cabo Verde e no mundo. Coisas que normalmente
nenhum dos jornais nacionais se ocupa. Os casos mais frequentes são as fotos de
animais deformados à nascença que, quase sempre, consegue em primeira mão.
Mas sempre se pode saber mais. Na
rubrica “Variedades” o leitor pode inteirar-se de informações sobre a saúde,
conselhos médicos, entre outros assuntos. Também não faltam artigos de opinião
e curiosidades. O certo é que quem passa pela montra do Djibla nunca fica
indiferente, eleita por muitos como um “lugar de passagem obrigatória”.
“Reparei que o povo, muitas vezes, não
tem acesso a certas informações. E, como eu tenho esse acesso, através de
jornais que compro ou de recortes de jornais que muitos emigrantes me trazem de
fora, coloco o que interessa na montra para que todos possam ficar a par dos
acontecimentos”, conta Djibla, orgulhoso da sua vitrina.
Quem é Djibla?
O seu nome verdadeiro é Daniel Pinto
Mascarenhas. Este “mnine de Soncente” nasceu na ilha do Maio, a 29 Fevereiro de
1940, filho de Idalina Pinto Mascarenhas, natural de São Vicente, e de António
St. Aubyn Mascarenhas, de São Nicolau. O pai era funcionário aduaneiro e a mãe
doméstica. Aos quatro anos foram viver para São Vicente e aqui tornou-se
adulto. Aqui casou, teve filhos, sendo de há muito uma figura carismática da
ilha. Djibla conta que já andou meio mundo, mas que não troca São Vicente por
nenhum outro lugar. “Às seis da manhã estou a tomar o meu banho de mar. Onde é
que posso isso fazer lá fora?” questiona.
A paixão pela fotografia
Fotógrafo profissional, neste momento
dos mais antigos de São Vicente e até mesmo de Cabo Verde, a fotografia,
conforme confessa, “é uma paixão”. Mais do que isso, “um prazer tremendo, uma
coisa que encanta qualquer pessoa. A todos os lugares onde eu ia chamavam-me
para tirar fotografias. Depois fui ‘obrigado’ a tirar fotografias de
documentos, reportagens, casamentos, festivais, funerais”.
Com 14 anos Djibla já andava a brincar
de fotógrafo com uma máquina pequenina, da qual já não se recorda como lhe foi
parar às mãos. No então único de liceu de São Vicente, no período colonial, era
ele quem fazia as reportagens dos grandes encontros, as festas e as novidades
que aparecessem. “Nessa época as fotos eram oferecidas de graça às pessoas, mas
as dificuldades obrigaram-me depois a vendê-las”, e assim, de paixão, a
fotografia tornou-se também no “ganha pão” deste hoje empresário.
Entretanto, em 1961, Djibla partiu para
Angola, a serviço militar. Durante o tempo que esteve na tropa era o fotógrafo
do seu quartel, na infantaria de Luanda. Ganhou muito dinheiro e quando
regressou decidiu montar o seu estúdio. Isto em 1967.
Uma galeria escondida
São poucos aqueles que já tiveram a
oportunidade de conhecer a cave da sua loja, o cantinho onde Djibla guarda as
recordações e os registos das mais altas personalidades e acontecimentos que
marcaram São Vicente. É o caso da visita de Marcello Caetano, Baltasar Lopes da
Silva a discursar da varanda da Câmara Municipal por altura do 25 de Abril, os
comícios que se seguiram, a independência nacional, a chegada do barco
“Independência”, os bailes que se faziam nesse tempo e mais um número
interminável de acontecimentos. Afinal, qual testemunha ocular da história,
Djibla e a sua máquina não poderiam deixar de estar presentes nesses e muitos
outros acontecimentos que se seguiram.
Precisamente por isso, mais do que um
depositário de imagens, este cabo-verdiano, que também chegou a ser deputado
nacional pelo MpD, é também um memorialista. Gosta de relembrar e contar, para
quem quiser ouvi-lo, as histórias e os nomes que existem por detrás de todos
aqueles negativos e registos. Possui vários livros de registo onde tem anotadas
todas as pessoas e acontecimentos que já passaram pela lente da sua máquina.
Felizmente, neste momento, está a
trabalhar na digitalização de todo o seu acervo de imagens, para um dia criar
um arquivo nacional ou da Cidade do Mindelo, conforme for o caso.
Questionado
se não estaria a pensar em criar um site, responde que, por não possuir muitos
conhecimentos em informática e pela falta de tempo, prefere não pensar no
assunto. “Muita gente já me fez a mesma pergunta”, acrescenta.
As modernices
Hoje, num mundo de máquinas digitais,
onde quem quiser é fotógrafo, confessa que os negócios já não são como
antigamente. “Já quase que não há impressão de fotografias. Antigamente, muita
gente vinha cá, tínhamos os rolos e ficávamos até tarde a trabalhar. Houve uma
época, por exemplo, em que muitos chineses que atracavam no Porto Grande vinham
ter comigo. Às vezes, com trinta rolos, davam-me um prazo limitado para lhes
entregar”.
Mesmo com os tempos difíceis, Djibla diz
que vai continuar a trabalhar na sua arte. Afinal, mais do que uma profissão, a
fotografia é uma paixão que nem o tempo nem o avanço tecnológico conseguiram
sufocar nele.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Tempo sem destino
E assim vai o tempo sem destino
Titubeando aqueles que não lhe seguem os sentidos
Carcomidos nas suas diligências de vida rupestre
Cercados de mel que lhes dilacera a essência
De neles não existir senão em fantasias sonâmbulas
De tempos que nunca virão.
Assinala-nos o vento com seu veneno
Que nos entorpece a respiração fugaz
Subverte-nos o olhar
Para só vermos actuar os outros.
Outros, que sempre serão pequeninas partículas
Que nos constroem para o bem e para o mal.
E assim se esvai os meus pensamentos
Dos olhares mansos das cores do mundo
Possuídos até então pelo vazio dos meus porquês
Pelas palavras silenciosas dos meus ritos matinais
Porque agora com isto sei que tenho algo para contar
Qualquer coisa de que não sei explicar
Mas que corrige a vermelhidão do meu olhar
Sempre que tento esconder os meus pensamentos.
Eternidades
De repente dou de caras contigo
Dou de caras
comigo.
Não vejo o teu
semblante,
Ou pelo menos
um sorriso em esboço.
Talvez a luz do
teu olhar
Para me animar,
Sair deste casulo,
desta neblina.
De repente
vejo que não estou só
E tento
libertar-me desta penúria,
Deste desgaste
mental.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Embriões de criminalidade atrapalham previsões da PN
De acordo com
dados da polícia nacional, a onda de criminalidade em São Vicente está a
diminuir, sobretudo com a chegada da Brigada Anti - Crime, BAC, há seis meses.
No entanto, os são-vicentinos mostram-se apreensivos quanto às
sucessivas ondas de violência geradas entre adolescentes e crianças, muitas delas usuárias
de drogas.
Há vários bairros em São Vicente onde o hábito de se sentar
a porta de casa com os amigos a consumir drogas já se tornou um estilo de vida
e os olhares que cobrem esses jovens e adolescentes são de pura anestesia,
perante a realidade social que os cerca. A condição de pobreza é extrema e os
objectivos são recalcados pela cultura de roubos e assaltos pelas ruas do
Mindelo.
A situação complica-se, quando se observa que crianças
compreendidas entre os 8 e os 13 anos, já vêm desde cedo acompanhando estas práticas.
Muitas delas fazem parte de “Gangs” e já foram marcadas pela sociedade como “perigosas”,
pelos sucessivos abusos e actos de violência contra colegas e transeuntes.
Alguns moradores das proximidades dessas regiões admitem
ter receio de deixar suas crianças saírem às ruas sozinhas. “Já assisti um
grupo de crianças a agredir uma rapariga no meio da rua”, conta Bem-vindo
Silva, morador da Ribeirinha. “Queriam arrancar-lhe a bolsa e, se não fosse eu,
não sei o que seria. Por isso sempre acompanho a minha filha à escola ou fico a
vê-la daqui da porta até que ela chegue”.
Tenho medo de encontra-lo morto
Admilson é um caso entre muitos que já sofreu na pele os
abusos desses grupos. Foi espancado com socos e pauladas por um grupo de crianças,
enquanto brincava com um colega seu da escola. O seu amigo, José, conseguiu
escapar e foi-se esconder numa mercearia que havia lá perto.
“Ribeirinha é o lugar mais perdido que há. As vezes tenho
medo de sair e levar pancada, mas o medo maior é o de deixar o meu filho sair
sozinho e depois encontra-lo morto”, desabafa
o pai do rapaz, Anildo Gomes. “Por
isso sou muito rígido com ele. Faço de tudo para evitar que ele se integre com
estes grupos, porque as vezes são obrigados a entrar e, se não o fizerem, são
espancados”.
Segundo Maria Auxiliadora, moradora de Ribeirinha, a situação
de vulnerabilidade em que se encontram essas crianças é alarmante e, se não
houver nenhuma intervenção por parte das autoridades competentes, muitos ainda serão
arrastados para o mesmo caminho, porque “mesmo quem não encontrem violência em
casa, são influenciados pelos colegas. Se se é, constantemente vítima de violência
por parte de colegas, acaba-se por se tornar violento também.
Perda
de valores familiares
“A instituição família, está a desmoronar-se. Há falta de
acompanhamento por parte dos pais”,
afirma a animadora do Centro Orlandina Fortes, Paula Soares. “As vezes
desconhecem a própria identidade dos professores que ensinam os seus filhos. Há
muito individualismo no seio das famílias e isto impede que dialoguem com eles,
que participem das suas vidas, para que os possam auxiliar devidamente”.
As crianças que vivem nesses bairros estão, diariamente,
expostas a situações de vulnerabilidade, tanto dentro de suas próprias casas
como nas ruas. Segundo a psicóloga, Lenilda Brito, casos de pais alcoólicos ou usuários
de droga são cada vez mais frequentes, para além do uso descontrolado de
estupefacientes pelas ruas. “Consomem e depois deitam os restos no chão que
depois são reaproveitados pelas crianças”.
Adianta ainda que, “A polícia não consegue fazer nada se não
houver ajuda. Mesmo os centros, por mais acções que possam realizar, não
substituem as famílias. É um apoio, mas não conseguem suprir todas as lacunas”,
afirma.
Fazer
a diferença
O objectivo é integrar estas crianças em actividades
recreativas como a pintura, a reciclagem, a música e o desporto, para que elas preencham
os seus tempos livres da melhor forma possível, evitando que fiquem pelas ruas
expostas aos perigos. Para além disso, trabalham a auto-estima das mesmas que,
segundo a animadora, na maior parte das vezes é negligenciada pela ausência afectiva
dos pais.
“O nosso objectivo maior é trabalhar a auto-estima dessas
crianças. A pintura, por exemplo, é uma óptima forma de elas expressarem a sua
identidade, sua forma de pensar e de sentir. Nós não nos limitamos somente a
ensinar a técnica, mas também faze-las sentir que são úteis”.
“Células
cancerígenas em expansão”
Houve quem se referisse a este problema como “Células
cancerígenas em expansão”, que se não diagnosticadas a tempo podem significar a
emergência de um estado de “cronicidade” para a sociedade cabo-verdiana.
Segundo a psicóloga, Haidea Lopes, para resolver o problema
é necessário que haja sintonia entre
as entidades estatais e a sociedade civil, no sentido de reforçar e dinamizar as
capacidades locais e centrais.
“Urge uma intervenção precoce neste sentido, estimulando
os valores familiares, os valores de vizinhança e de união. Mas para isso é necessário
fazer-se um estudo aprofundado para o desmantelamento deste problema”.
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